quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Curso GAPP: Verbos - Iniciação: ativos, passivos e reflexivos ...
Curso GAPP: Verbos - Iniciação: ativos, passivos e reflexivos ...: Os verbos transitivos admitem três tipos de vozes verbais quais sejam ativa , passiva e reflexiva : Exemplos : Voz ativa ou verbo ativo...
domingo, 14 de setembro de 2014
Moradores do Junco são figurantes do filme guerra de canudos e falam sobre o assunto
| Recife, Quinta-Feira, 2 de Outubro de 1997 |
Da Sucursal de Petrolina JUAZEIRO(BA) - O pequeno e tranquilo vilarejo de Junco do Salitre, situado a 37 quilômetros desta cidade. na divisa com Pernambuco, voltou a ser o centro das atenções antontem à noite. O lugar, que serviu de única locação para o filme Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, durante quatro meses, foi palco da pré-estréia especial para os figurantes, gente simples do povoado. A tela, montada a céu aberto sobre o ônibus do projeto itinerante Cinema Voador, do governo de Brasília, foi o recurso encontrado para suprir a falta de uma sala de exibição. Essa foi a segunda exibição de Guerra de Canudos no sertão baiano antes do lançamento oficial em todo o país, amanhã. A primeira, dia 25, foi na própria Canudos, a 400 quilômetros de Juazeiro, onde aconteceu o drama real de Conselheiro e seus seguidores. Cerca de 350 pessoas assistiram a exibição, que durou duas horas e quarenta minutos. Uma estrutura de arquibancada foi montada pelo pessoal do Cinema Voador no final do dia com capacidade para 300 pessoas. Muitagente não se incomodou de se sentar no chão de terra batida. Alheios aos desconforto, alguns se acomodaram em caminhonetes e caminhões. A prefeitura de Juazeiro colocou à disposição da população cinco ônibus, com saídas do centro de Cultura João Gilberto, fazendo o percurso pelas comunidades próximas. " A expectativa das pessoas foi muito grande. Eles queriam, afinal, ver o resultado do próprio trabalho", disse a produtora Selma Santos, que veio de Salvador especialmente para a ocasião. O resultado final foi, inegavelmente, aprovado pelo povo de Junco do Salitre. " Achei bom. Cheguei a chorar no começo", confessou a estudante Cristiana Santos, 17 anos, que trabalhou nas figurações durante quatro dias, junto com mãe Maria Ferreira dos Santos e dois irmãos. Já o agricultor Paulo da Costa Ribeiro, 71 anos, que nunca tinha assistido um filme , afirmou que valeu a pena a experiência como "ator". É ele que está na torre da igreja quando as tropas atacam Canudos. A sua fala no filme ainda está na ponta da língua:" Eles estão vindo ali", relembra. O lugar, escolhido por Sérgio Rezende depois de sete mil quilômetros de peregrinação pelo Brasil afora, tem cerca de 300 habitantes. São agricultores e pequenos criadores. Quase todos - cerca de 250 - fizeram alguma ponta na super-produção. " Eles eram extremamente disciplinados, maravilhosos", conta Péricles Palmeira, produtor de elenco e coordenador de figuração do set de filmagem. Ele realça o desempenho do garoto Eronaldo, de 8 anos, que faz o personagem Crispim. Morador de Juazeiro( esteva em férias em Junco do Salitre, na época das filmagens), ele foi a ausência mais sentida pelos produtores. "Apesar de analfabeto, ele demonstrou uma inteligência formidável. Pegava as orientações com uma surpreendente rapidez", recorda o produtor. " A cena em que ele pega um rifle para matar um soldado, foi repetida cinco vezes, mas ele nunca errou. Era sempre perfeito, enquanto técnicos e atores falhavam", afirma. Como lembrança das filmagens, que movimentou o cotidiano previsível e a economia local, além do filme, restam apenas duas casas erguidas que faziam parte do cenário. O resto foi consumido pelo fogo nas últimas cenas do filme. Perpétua Conceição da Silva, 37 anos vividos em Junco de Salitre, participou de dois dias de gravação.As lembranças que ficaram são as melhores. "Era como se fosse uma grande brincadeira que falava de gente como a gente", define. um dos figurantes que se destacaram foi Ana Maria Abdias,17 anos, grávida durante as filmagens. Sua voz serviu de inspiração par o sotaque de Cláudia Abreu, que faz a filha do ator Paulo Betti. Ela conta que caso o nenên tivesse nascido menina, receberia o nome de Luísa, em homenagem à personagem de Cláudia Abreu. Nasceu homem. Segundo o produtor Péricles Palmeira, foram utilizados cerca de 4.500 figurantes. Teve dia em que chegou a utilizar 680 pessoas em uma cena. "Foi complicado, mas a disciplina desse pessoal foi fundamental para que o resultado fosse bom", explica. O ator Dodysó, que faz o Pajeú, tem dez anos de teatroem Salvador e estreou no cinema em Guerra de Canudos. Ele destaca o calor humano do povo de Junco de Salitre e a importância de ter trabalhado com Sérgio Rezende. Na próxima semana, ele começa a filmar o curta-metragem Canudos Numa Longa Estrada, de Carlos Pronzao. Lá mesmo onde Conselheiro fez história. Acessado em: http://www.dpnet.com.br/anteriores/1997/10/02/viver4_0.html |
Veja a reportagem de lançamento do FILME GUERRA DE CANUDOS gravado no Junco Salitre
São Paulo, sábado, 15 de junho de 1996![]() |
| Texto Anterior | Próximo Texto | Índice"Guerra de Canudos" terá 8.000 figurantes ALESSANDRA BLANCO ENVIADA ESPECIAL A JUAZEIRO (BA) Cem atores, 8.000 figurantes e mais uma equipe de 120 profissionais estarão reunidos daqui a um mês no vilarejo de Junco do Salitre, no norte da Bahia, para dar início às filmagens de "Guerra de Canudos", de Sérgio Rezende. No próximo dia 14 de julho, primeiro dia de filmagens, Antonio Conselheiro (José Wilker) estará entrando no povoado de Belo Monte para fundar Canudos: "É aqui nesta terra de Deus que fundo nosso império de Belo Monte e vamos viver em paz até voltarem os soldados do anticristo. Quando chegarem, o sertão vai virar praia e a praia vai virar sertão". A cidade cenográfica, de 6.000 m2, levou quatro meses para ser construída e terá 500 casas feitas de barro e duas igrejas. A previsão de custo do filme é de US$ 6 milhões, financiados pela Sony/Columbia, Petrobrás e Eletrobrás, entre outras empresas. Ao governo da Bahia, coube retirar qualquer poste ou fio de eletricidade que passe por perto do local e fornecer 1.200 homens do seu exército, polícia militar e cavalaria para atuarem como soldados na luta contra os canudenses. Uma fábrica foi contratada no Rio de Janeiro para confeccionar todas as fardas vermelhas e azuis que denunciavam na caatinga os soldados do governo. As armas (600 fuzis, quatro canhões e a "matadeira") são do próprio exército. Uma equipe de técnicos e maquiadores mexicanos também está sendo trazida para o Brasil para cuidar dos efeitos especiais. Os canudenses serão os próprios moradores de Junco do Salitre. Roteiro O roteiro adaptado é do próprio Sérgio Rezende. A história da guerra de Canudos (que completa cem anos em 1997) contada no filme não é a história de Antonio Conselheiro, mas a de uma família de antigos camponeses (vividos por Paulo Betti e Marieta Severo), que têm todo seu gado levado pelo governo na forma de pagamento de impostos e acaba abandonando sua casa para seguir Conselheiro. A personagem principal é a filha deste casal (Claudia Abreu), que se revolta contra a decisão dos pais de partir para Canudos, abandona a família, vira prostituta e, depois, volta para tentar salvar a família da guerra. Essa trama paralela permite a Rezende fazer de Antonio Conselheiro mais um louco, com algo de santo, do que um herói. "Há quatro anos estudo a história de Canudos, e meu maior interesse não é dar explicações, mas mostrar o mistério de Canudos. Como explicar que 25 mil pessoas não recuassem frente aos canhões num país que é conhecido pelo 'jeitinho'? Antonio Conselheiro não será um herói, será um líder", disse Rezende. "É difícil explicar um homem que falava em tom baixo a 25 mil pessoas, era entendido e calava a todos só com um olhar", diz José Wilker, que está em Nova York à procura de barba, bigode e peruca para o seu personagem. O herói Para Rezende, o herói do filme será o próprio sertanejo ("antes de tudo um forte"). Alguns outros personagens também aparecem para tornar mais claro no filme o choque de mundos diferentes: o sertão e o urbano, procurado por Rezende. É o caso, por exemplo, do jornalista, uma espécie de homenagem a Euclides da Cunha e Manuel Benício, correspondentes da guerra, que se apresenta como "retratista em tempos de paz e correspondente em tempos de guerra". "Este não é o meu primeiro filme no Nordeste. Acho que tenho muito mais a mostrar aqui", diz Rezende. Ele cita como exemplo os próprios moradores de Junco do Salitre, que estão montando o cenário e vão participar do filme. "Os moradores de Junco do Salitre são exatamente iguais aos de Canudos. Eles tiveram medo que realmente ocorresse uma guerra aqui. Foi preciso falar com um a um para convencê-los. Este é o meu interesse pelo sertão", disse. As filmagens devem durar quatro meses e o filme deve ser distribuído no próximo ano. acessado em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/6/15/ilustrada/6.html |
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